Câncer de Mama
O que é, classificação, sintomas, diagnóstico e tratamento
Câncer de mama: causas, fatores de risco, tipos histológicos, estadiamento, diagnóstico e tratamento. Resumo completo para residência médica.
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais frequente em mulheres no Brasil e no mundo, excluindo-se os tumores de pele não melanoma. É também a principal causa de morte por câncer no sexo feminino, o que torna seu rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento temas centrais em provas de residência e na prática clínica.
O que é Câncer de Mama?
O câncer de mama resulta da proliferação descontrolada de células epiteliais da glândula mamária. A grande maioria origina-se dos ductos (carcinoma ductal) ou dos lóbulos (carcinoma lobular). A doença abrange tanto formas in situ — confinadas ao epitélio, sem invasão da membrana basal — quanto formas invasoras, com capacidade de metastatizar via linfática e hematogênica.
Causas e transmissão
O câncer de mama não é transmissível. Seu desenvolvimento é multifatorial:
Fatores de risco estabelecidos:
- Sexo feminino e idade avançada (risco aumenta progressivamente após os 40 anos)
- História familiar de câncer de mama, especialmente em parentes de primeiro grau
- Mutações germinativas em BRCA1 e BRCA2 (risco cumulativo vitalício de 50–85%)
- Exposição prolongada a estrogênios endógenos: menarca precoce, menopausa tardia, nuliparidade, primeiro filho após os 30 anos
- Terapia hormonal combinada (estrogênio + progestagênio) por tempo prolongado
- Densidade mamária elevada
- Biópsia prévia com hiperplasia atípica ou carcinoma lobular in situ (CLIS)
- Exposição a radiação ionizante (especialmente na infância/adolescência)
- Obesidade na pós-menopausa e consumo regular de álcool
Fatores protetores:
- Amamentação
- Exercício físico regular
- Multiparidade e primeiro filho antes dos 30 anos
Classificação e formas
Quanto à invasão
- Carcinoma in situ: células malignas restritas ao epitélio, sem ruptura da membrana basal.
- Carcinoma ductal in situ (CDIS): mais comum; detectado frequentemente por mamografia (calcificações).
- Carcinoma lobular in situ (CLIS): marcador de risco aumentado bilateral; raramente forma massa palpável.
- Carcinoma invasor (infiltrante): rompe a membrana basal e invade o estroma.
- Carcinoma ductal invasor (CDI): tipo mais frequente (~70–80%).
- Carcinoma lobular invasor (CLI): segundo mais comum; tendência a ser multicêntrico e bilateral.
- Outros tipos: mucinoso, tubular, medular, papilífero (geralmente de melhor prognóstico).
Quanto ao subtipo molecular (classificação por imuno-histoquímica)
- Luminal A: RE+, RP+, HER2−, Ki-67 baixo. Melhor prognóstico, alta responsividade hormonal.
- Luminal B: RE+ e/ou RP+, HER2+ ou Ki-67 alto. Prognóstico intermediário.
- HER2-enriquecido: RE−, RP−, HER2+. Agressivo, mas com alvo terapêutico específico.
- Triple-negative (TNBC): RE−, RP−, HER2−. Mais agressivo, sem alvo hormonal ou anti-HER2; quimioterapia é o pilar.
Estadiamento TNM (AJCC)
- T: tamanho do tumor primário (T1 ≤ 2 cm; T2 2–5 cm; T3 > 5 cm; T4 extensão à parede torácica/pele).
- N: comprometimento linfonodal regional (axila, cadeia mamária interna, supraclavicular).
- M: presença de metástases a distância (pulmão, fígado, osso, cérebro).
- Estádios de I a IV, com subestádios; estádio IV = doença metastática.
Sintomas e manifestações clínicas
As formas iniciais frequentemente são assintomáticas, detectadas ao rastreamento. Quando presentes, os sinais e sintomas incluem:
- Nódulo mamário de consistência endurecida, de bordas irregulares, pouco móvel
- Assimetria ou alteração do contorno da mama
- Retração cutânea ou do complexo aréolo-mamilar
- Pele em