PubMed & Literatura16 jul 20264 min de leitura

CGRP e Substância P na Saliva e Polpa Dentária segundo Níveis de Ansiedade em Pacientes com Dor Dental

Estudo transversal investigou neuropeptídeos como potenciais marcadores de inflamação pulpar e sofrimento psicológico

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Estudo transversal compara CGRP e substância P na polpa e saliva de pacientes com dor dental, correlacionando com ansiedade e intensidade da dor.

Este artigo é a tradução fiel do resumo (abstract) de estudo transversal publicado no BMC Oral Health em julho de 2026. O artigo original, com autoria e detalhes completos, está indicado na fonte ao final desta página.

A dor dental envolve não apenas processos inflamatórios locais, mas também componentes neurobiológicos e psicológicos. Neuropeptídeos como o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (calcitonin gene-related peptide, CGRP) e a substância P (SP) são mediadores centrais da inflamação neurogênica e da nocicepção pulpar, sendo objeto crescente de investigação como biomarcadores — inclusive em amostras menos invasivas, como a saliva.

Contexto

A dor dental é influenciada tanto por processos inflamatórios locais quanto por fatores neurobiológicos e psicológicos. Este estudo comparou os níveis de substância P (SP) e de peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) no tecido pulpar e na saliva não estimulada entre pacientes com dor dental e controles sem dor, e investigou suas relações com a intensidade da dor, a inflamação pulpar e o sofrimento psicológico.

Métodos

  • Delineamento: estudo transversal.
  • Participantes: 52 adultos com indicação de tratamento endodôntico primário, distribuídos em dois grupos: 26 pacientes com dor dental e 26 controles sem dor (sem queixa álgica e escore 0 na Escala de Classificação Verbal — VRS).
  • Avaliação da dor: Escala de Classificação Verbal (VRS).
  • Avaliação psicológica: Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse-21 (DASS-21), para mensuração de depressão, ansiedade e estresse.
  • Coleta de amostras: tecido pulpar e saliva não estimulada, analisados por ensaio imunoenzimático (ELISA).
  • Inflamação pulpar: graduada histopatologicamente.
  • Análise estatística: comparações entre grupos por teste t para amostras independentes ou teste U de Mann–Whitney, conforme adequação; tamanhos de efeito calculados pelo eta ao quadrado (η²); correlações avaliadas pelos coeficientes de Pearson ou Spearman.

Resultados

  • Os níveis de CGRP na polpa foram significativamente mais elevados nos pacientes com dor dental em comparação aos controles sem dor (p = 0,007; η² = 0,146).
  • Os níveis de substância P salivar também estavam significativamente aumentados no grupo com dor (p = 0,044; η² = 0,080).
  • Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos para SP na polpa nem para CGRP salivar (p > 0,05).
  • Os escores de depressão, ansiedade e estresse foram todos significativamente mais elevados nos pacientes com dor dental (todos p < 0,001).
  • A intensidade da dor apresentou correlações positivas com o CGRP pulpar (r = 0,332) e com a SP salivar (r = 0,324).
  • Nenhuma associação significativa foi encontrada entre a intensidade da dor e o grau de inflamação histopatológica.

Conclusões

O CGRP pulpar pode estar associado à ativação neurogênica local na dor pulpar sintomática, enquanto a SP salivar pode representar um potencial marcador não invasivo de respostas associadas à dor. No entanto, a ausência de correspondência consistente entre polpa e saliva indica que os biomarcadores salivares não devem ser considerados substitutos diretos da atividade de neuropeptídeos pulpares.

Contexto e força da evidência

Trata-se de um estudo transversal com amostra relativamente pequena (52 participantes), o que limita o poder estatístico e impede inferências causais. Os tamanhos de efeito calculados (η² = 0,146 para CGRP pulpar; η² = 0,080 para SP salivar) são de magnitude moderada a pequena, respectivamente, sinalizando cautela na extrapolação clínica dos achados.

A ausência de correlação entre intensidade de dor e grau histopatológico de inflamação é um achado relevante: sugere que a experiência subjetiva da dor não se traduz diretamente na extensão morfológica da inflamação pulpar, o que é coerente com a influência de fatores neurobiológicos e psicológicos — como os maiores escores de ansiedade, depressão e estresse observados nos pacientes com dor. Esse dado reforça a perspectiva biopsicossocial da dor orofacial.

A validade externa é restrita pelo recrutamento em centro único (Universidade de Kahramanmaraş Sütçü İmam, Turquia) e pela seleção de pacientes com indicação de tratamento endodôntico, população que pode não representar o espectro completo de condições pulpares. Além disso, o desenho transversal não permite determinar se as alterações nos neuropeptídeos precedem, acompanham ou são consequência da dor e do sofrimento psicológico.

No campo dos biomarcadores salivares, esta linha de investigação dialoga com pesquisas sobre outros marcadores inflamatórios dosados em fluidos biológicos — como os estudos sobre biomarcadores proteômicos e de glicosilação em condições inflamatórias crônicas —, evidenciando o interesse crescente em métodos não invasivos de monitoramento da resposta inflamatória.

A incorporação da DASS-21 é um ponto metodológico positivo, pois permite quantificar o sofrimento psicológico de forma padronizada; contudo, estudos longitudinais com amostras maiores serão necessários para determinar o papel modulador da ansiedade sobre os níveis de CGRP e SP na dor pulpar.


Fonte: BMC oral health (via PubMed) · 2026

DOI: 10.1186/s12903-026-09288-1

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Tradução em português do resumo (abstract) publicado. Os direitos do texto original pertencem aos autores e à editora; consulte o original no link acima para a versão integral e a licença de uso.

Perguntas frequentes

O que é o CGRP e qual seu papel na dor dental?
O CGRP (peptídeo relacionado ao gene da calcitonina) é um neuropeptídeo envolvido na inflamação neurogênica e na nocicepção. Neste estudo, seus níveis na polpa dentária foram significativamente mais elevados em pacientes com dor dental, correlacionando-se positivamente com a intensidade da dor (r = 0,332), sugerindo participação na ativação neurogênica local.
A substância P salivar pode ser usada como marcador não invasivo de dor pulpar?
Os resultados indicam que a SP salivar foi significativamente mais elevada em pacientes com dor dental e correlacionou-se com a intensidade da dor (r = 0,324). Contudo, os autores ressaltam que a ausência de correspondência consistente entre polpa e saliva impede que os biomarcadores salivares sejam considerados substitutos diretos da atividade de neuropeptídeos pulpares.
Pacientes com dor dental apresentam maiores níveis de ansiedade e estresse?
Sim. Neste estudo, os escores de depressão, ansiedade e estresse (avaliados pela DASS-21) foram todos significativamente mais elevados nos pacientes com dor dental em comparação aos controles sem dor (p < 0,001 para todos).
A intensidade da dor dental se correlaciona com o grau de inflamação histopatológica da polpa?
Não foi encontrada associação significativa entre intensidade da dor e grau histopatológico de inflamação pulpar neste estudo, sugerindo que a experiência subjetiva da dor é modulada por fatores além da extensão morfológica do processo inflamatório.

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